sal de frutas
Tiê - Ando meio desligado (Terra Exclusive)
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ah Tiê!

Não nasci pra ser bem durável
Sou 100% reciclável. Meu destino?
Decerto a compostagem.
Não tenho ilusões de eternidade
Pois sei que sou apenas um inquilino
Desse frágil saco de aniagem.
Rafael De Oliveira Pinto
[…]Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.

Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.

Dá-me lírios, lírios
E rosas também. […]
Álvaro de Campos
top 5 viagens

Nada mais público na minha vida que o fato de que amo viajar. Entre algumas boas idas e vindas, pensei em fazer um top 5 com as melhores viagens que ja fiz. Contudo, nem sempre os lugares foram a razão da ordem do ranking, na verdade na verdade, o momento e a boa companhia são sempre muito importantes pra tornar algo especial. Vou fazer de pouquinho em pouquinho, sem ordem de melhor/pior e, pra começar:

carnaval em recife - “o carnaval mais democratico e participativo do Brasil”

Fui esse ano, 2011, e, se eu nao me engano, foram 15 dias em recife/olinda. Cheguei na quarta antes do carnaval e tive a sorte de me hospedar na casa de uma nativa (hehehe), Ju Serreti, pernambucana, doida por carnaval, do Direito-UFPE e da Renaju, muito gente boa e com uma família maravilhosa; e muito bem recebida pelos amigos dela e pelo Xandinho, também do Direito, que eu ja conhecia desde o ENNAJUP São Luís. Fui sozinha, mas por coincidência, um grupo de bem uns 10 conhecidos de Belém também foi, e logo no meu 1º dia lá já encontrei com eles. Como dizem, paraense se atrai em qualquer lugar do mundo mesmo. 

Além disso, a companhia de dois paranaenses muito queridos da Renaju, Tchenna e Daniel. Então, curtimos muito o carnaval, saimos em um bloco dos amigos de Ju, o “Esses boys tão muito doido”, e quase todos funcionam num esquema de open bar antes e depois percurso de bêbados por Olinda. É realmente muito divertido. São muitos blocos, muita gente, deu vontade de sair no Bloco da Lama, em que todos saem elameados pela rua, mas sai muito cedo, antes do Esses Boys, na manhã de sábado.

A cerveja é barata, o transporte publico é relativamente bom, e durante o carnaval não comi fora nenhum dia, a mãe da Ju deixou pra gente a geladeira cheia, e assim deu pra gastar bem pouco nessa empreitada. Acho que peguei taxi só uma vez, mas nem precisava, foi só por cansaço e pressa pra chegar em casa.

Além dos blocos tradicionais e do maracatu, tem vários shows, tanto no Recife Antigo quanto em Olinda, além do festival Rec Beat. Vi duas vezes o Alceu Valença, perdi o Otto, mas consegui ver Elba, Osquestra Contemporanea de Olinda, Bnegão e os seletores de frequencia, Lenine, Mombojó, Eddie, Nação Zumbi…enfim, muita gente legal.  Perdi muita coisa também, mas você tem que ir sabendo isso, é impossivel ver tudo. Tem os blocos famosos, o Galo, Homem da Meia Noite, mas eu acho que nao são muito minha praia. Vale a pena passar o dia em Olinda, só olhando os blocos passar, encontrando com gente, dá pra conhecer uma boa galera. De noite, manter o pique e ir pro Recife Antigo, parar na rua da Moeda, sentar num bar, tem também boates, shows no Marco Zero, e o Rec Beat. É tudo lá.

E aí chega a quarta-feira de cinzas, quando você já chora com “ó quarta-feira ingrata, chega tão depressa, só pra contrariar…” e sonha com no próximo ano poder cantar a todos pulmões “voltei, recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço…” Foi uma semana de pouco sono e muita diversão. E gratuita!

Na quarta fomos conhecer uma ilhota bem em frente ao Recife Antigo, onde tem algumas obras do Brennand. Logo em seguida, voltaram as aulas da Ju, aí me juntei com o povo de Belém e fomos viajar.

O primeiro destino foi Suape, fomos de onibus, saindo do Cais de Santa Rita, acho que a viagem dura 2,3h, por sorte conhecemos uma moradora que nos ofereceu almoço e dormida. Sério. Dormimos lá, no dia seguinte ela ainda nos ofereceu café da manhã e partimos. Suape é legal, uma praia bonita, tem mangue, e dá pra ver uma grande obra do PAC que tão construindo lá. Nao tenho muitas informações, mas com certeza deve ser mais um crime ambiental do governo.

Conhecemos outra prainha, acho que praia do Paraíso, ao lado de Suape, muito linda, escondida, tem que passar a pé por uma trilha num morro para chegar lá. Nele, tem várias casas simples, e muito bonitas, deu a impressão que alguns descobriram aquela maravilha e nunca mais conseguiram ir embora, é realmente paradisíaco.

De lá, partimos para Porto de Galinhas, de novo de ônibus, é só se informar com a população, tem transporte público pra várias praias. Porto é um praia famosa, muito frequentada, cheia de comércio e um pouco elitista. Almoçamos na cidade, por ser mais barato, e aí passamos o dia na praia. Lá encontramos um cara que fazia mergulho, já ia sair um próximo grupo e fomos. É lindo, ver tantos peixinhos coloridos lá no meio do mar, foi um dia muito especial. Vimos o por do sol tomando caipirinha e ouvindo Racionais Mcs, numa banquinha de drinks que SÓ tocava Racionais. Foi muuuuito legal. Voltamos de noite pra Recife.

No meio desses dias, algum dia lembro que passei andando a pé por Olinda com a Beth, e teve outro que fui pra casa do Brennand- que é um museu cheio de objetos de colecionador- com o Ramón, e noutro que fui pro Centrão de Recife com meus amigos pernambucanos, fomos no Museu do Chico Science, Mercado Central, casas de artesanato, conheci a FDR/UFPE, essas coisas. Recife é realmente uma cidade muito bonita.

Antes de ir embora ainda fui pra Itamaracá com meus amigos de Belém, também de ônibus, amei muito a praia, foi o mar mais bonito que vi no Pernambuco, pena que passei mal, comi uma sopa de mariscos nada confiável. Nesse mesmo dia voltei pra Belém, foi uma correria, e muita sorte de ter me recuperado e chegado bem em casa.

Voltei morrendo de saudade de Recife, com muita vontade de voltar. Pena que ano que vem acho que vai ser dificil ir de novo. Mas para quem pode, vá. Muito dificil se arrepender.

Próximas viagens a serem comentadas aqui:

Sampa, Rio e Camboriú em 2006

ened caxias + serra gaúcha + argentina/uruguai/paraguai -2008

chapada dos veadeiros - 2010

fortaleza 2009

Hoje quando voltei do francês, decidi cozinhar. Sentei no sofá e juntei parte das milhões de revistas e livros de cozinha que tem aqui em casa e perdi (sério) 1 hora e meia tentando decidir qual prato fazer. Depois desse tempo todo, só cheguei a conclusão que se fosse algo de forno iria demorar muito e que pra grande maioria eu não tinha todos os ingredientes. Aí fui pra cozinha, fiz um macarrão e um molho com todos os legumes que tinham em casa + sardinha.

Gente, foi minha obra-prima.

Minha vela queima dos dois lados
não durará a noite toda.
Mas oh! Meus amigos,
Mas ah!Meus Inimigos.
É de uma luz maravilhosa!
Edna St Vincent Millay

Como pode o Caetano me entender tanto?

Se você não for cuidadoso, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo.
Malcom X
Desistir?
Eu já pensei seriamente nisso,
mas nunca me levei realmente a sério.
É que tem mais chão nos meus olhos
do que cansaço nas minhas pernas,
mais esperança nos meus passos
do que tristeza nos meus ombros,
mais estrada no meu coração
do que medo na minha cabeça.
Cora Coralina
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC) Por: Fabrício Carpinejar
Se você já foi um universitário ou tem um filho na universidade, entende o valor da temida sigla TCC. TCC é tudo. O resto é nada. Você é nada, uma ameba, um protozoário perto de um TCC. O Trabalho de Conclusão do Curso é a greve de existir do jovem. Faz o vestibular parecer um feriado. O TCC é a TPM do Ensino Superior, a cadeira derretida do inferno, a desculpa para não realizar mais nada. Não se vive com um TCC. A monografia final da graduação é a fita azul que enrola o canudo, é a provação derradeira para emoldurar o diploma, é o que separa o capelo do céu. Na teoria, a tarefa se exibe fácil. Arrumar um tema, depois juntar material de pesquisa, atender aos conselhos de um professor orientador e, por fim, escrever 60 páginas. O fim nunca se encerra. No momento de pôr as ideias na tela, o último semestre demora mais três e o pânico devora as letras do teclado como um vírus. O TCC é o Gulag do adolescente, o exílio solar, a solidão noturna. É o bilhete de suicídio prolongado em livro. É o mesmo que receber simultaneamente a notícia de gravidez e esterilidade. Não se é humano com o TCC. É um crime se divertir, arejar a cabeça, brincar durante o período. A expectativa de solucionar um problema da carreira a partir de um texto acadêmico torna-se o problema. O futuro ganha o sinônimo de PRAZO ESGOTADO. A esperança tem o subtítulo ANOTAR ALGUMA COISA, QUALQUER COISA, POR FAVOR, ME AJUDA. O sujeito não tem mais passado, mas BIBLIOGRAFIA. Não existe lembrança, e sim FONTE. Muito fácil reconhecer o graduando na rua. Andará vagaroso, vidrado nos cadarços soltos do próprio tênis, rosto maltratado, remela nos olhos, roupas sobrepostas de quem se acordou agora e pegou as primeiras peças pela frente. Demonstrará irritação e uma dificuldade de entender a lógica do idioma. É um poço de culpa, ou porque não dormiu para estudar, ou porque dormiu e não estudou. Algumas respostas básicas de um universitário redigindo o TCC: Você namora? – Não posso agora, estou preocupado com o TCC. Vamos tomar um café no fim de tarde e pôr o papo em dia? – Não dá, tenho que fazer o TCC. Que tal Green Valley no domingo? – Nem pensar, estou com o TCC parado. Topa churrasco de noite? – Nunca, não avancei no TCC. Um cineminha hoje, para descontrair um pouco? – Desculpa, estou atrasado para o meu TCC. Onde você está? – Tentando achar uma posição confortável para escrever meu TCC. Você leu a crônica de Carpinejar em Zero Hora? – Não, só leio o que interessa ao meu TCC.